sexta-feira, 27 de novembro de 2009













Outro tempo
n'outro instante
quem aqui vive em casa-grande?
Ser trabalho, trabalhista
na senzala fecha a vista.

Quer dinheiro, putanheiro
desce o lombo o ano inteiro.
Se revolta, fala alto
bate à mesa e toma um trago.
Quer dinheiro, punheteiro
p'ra beber o ano inteiro.

Sol e chuva e pés na lama
limpa as botas sobre a cama
no banheiro sua conduta
lava o rabo no chuveiro
quebra inteiro o que labuta.

Mas seu ato é p'ra que blefe:
Masturbar o bolso do chefe.

Ankh
23-11-2009

quarta-feira, 25 de novembro de 2009









Partindo do que faço,
já não quero mais palavras.
De poeta e escritor: professor;
de guitarrista, músico, artista: sonhador.

Gasto tempo em pensamento
Busco portas e saídas
E as histórias vividas
São como chuva sem vento:
Vem e vão com o tempo
Vão e vem com a lida.

Ver colores, ser as dores: amores;
amigo do peito, honesto-direito: respeito.
Egocêntrico, duro, racional: ista.
Falar, ouvir, opinar: ador.

Malabarista do palavreado.
Súbito lapso de hemorragia verbal.

Ankh
23-11-2009
Palavra-borracha: propaga e volta. Bate na cara e então solta.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Rotineiro

A ordem do dia é não ter momentos.
Movimentos.
A ordem da casa é manter-se ocupado – a “mente vazia é playground do capeta”.
A fórmula é não pensar: agir e fazer, técnica em sincronia.
O jeito de ser é simples, conciso: atende, resolve, senta, pasta.
No momento em que o criativo faz menção de levantar-se a hora chega.
E se não dorme, depois atrasa o laço.
O jeito é levantar o braço
Acostumar com a lida
E esquecer do tempo de tentar criar.

Ankh
28-10-2009

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Why do I keep fuckin'up?

Não importa o quanto, nunca é o bastante.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Entre amigos e pesares


Sinto saudades
Sentirei saudades.
Tudo na vida nasce, cresce, desvanece e morre.
Só consigo pensar em flores no comparativo.

A voracidade do objetivo primário em estar vivo
É objeto do luto ocidental mal resolvido
Da dificuldade em aceitar a impotência humana
- da realidade.

A todos os que vivem
Na memória, na história e no peito
Um dia espero ser digno da palavra em contrapartida.
Do respeito, do merecimento do apreço e das saudades.
Do valor do contato, das presenças.
Das pessoas mais próximas e da sutileza de olhares
Amigos: mãe, noiva e irmãos inclusos no pacote.

Da identificação.
Do conhecer além da mera visão simulada
Do paradoxo entre parecer e ser.

Sinto saudades.
Sentirei saudades.
Do respeito pelas opções difusas dos contextos alheios
Da dedicação a objetivos que vão além da mera vivência
Da admiração por insistir.

Gostaria de ser religioso para ter orado com mais afinco.
Gostaria de acreditar que eu poderia ter feito algo mais.
Sinto saudades.
Sentirei saudades.

Não encontro palavras.
Não há palavras.

Ankh
14-09-2009
Tentei escrever, mas soava cada vez mais egoísta.
Descanse em paz, Melody.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Melody

Equivalência, ambivalência
Já não vale sol e chuva
Se o tempo não converge,
E o espaço não permite,
Na memória só refúgio
Na história vida e glória.

Se o querer que dita o verbo
Conjugado no pretérito
Há o temor do vir futuro
De não poder sentir seguro
O seguir permeia o susto.

Ser presente em corpo falta
O pensamento inverso vive
O momento nunca tarda
O esperar é que aflige.
Retorne. Continue. Fique. Viva.

Ankh
08-09-2009
À minha prima Melody, que está convalescente: Fique bem.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Palavras


O entendimento é falho quando o ato consumado não compactua do pensamento: a sociedade vive em disputa pelo ser correto, não pelo interpretar do verbo propagado. E quando errado, não basta assumir: precisa ser subjugado.

Fúria, desacato: o respeito atinge o limiar tênue da incompreensão quando a insistência na palavra virulenta leva o nervo ao estresse involuntário. Discute por conseqüência, mas não justifica o fato através de atos.

Como corrigir um erro com palavras?
Como corrigir palavras com palavras?
Como corrigir erros com outros erros?

Não é possível mudar posturas sem lembrar o movimento propagador para a ausência de coerção. E na futura ação, cicatrizes. A memória é o inferno dos imperfeitos, o remorso é o purgatório dos infames, o convívio é a morte para os egoístas.

Vale o certo evolutivo que aguarda o sacrifício de todo aquele que compactua objetivos. Racionalismo e sentimento, expressividade e autoridade.
Autoridade?
Autor X idade.

Chega um tempo em que ser tratado como infante tira a calma e lavra n’alma a vontade errônea de discutir o caso. A racionalidade forte e a temeridade do silêncio provam que nem com todos os argumentos do mundo seria possível explicar que posturas pessoais normalmente confundem o entendimento das mensagens.

Se há ruído é porque não há entendimento real.
Isso preocupa: ocupa a mente com análises de situações anteriores e com probabilidades vindouras.

Faça com o outro o que gostaria que fizessem contigo.
Penso muito nisso.
Existe entendimento real?
Ankh
10-08-2009
- Feliz dia dos pais atrasado. 20 anos.